domingo, 24 de abril de 2011

Eu lembrei que todo mundo passa, mas ninguém fica.


Porque será que nas ultimas vezes que te encontrei eu nunca consegui te olhar de verdade? Te olhar no fundo dos olhos?
Talvez porque eu estivesse preocupada com aquele relacionamento antigo, e procurei não pensar que era capaz de querer você. Esqueci que você também tinha me feito sorrir um dia. É, eu esqueci você, eu esqueci a gente pra viver algo que é completamente diferente do que vivemos.
Mas você, bem, você sempre esteve me ligando. Mesmo quando você estava com outra, mesmo quando eu não atendia. Você me ligava ou mandava mensagem em todos os meus aniversários, me ligava nas noites de 31 de dezembro só pra comemorar a falta que a gente se fazia um pro outro desde que nos conhecemos. Ainda me liga e eu nem sei porque eu ainda atendo seus telefonemas, nem sei porque eu escuto você, eu não sei porque finjo que acredito no que diz. Você nunca foi inspiração de nenhum texto meu, de nada, eu nunca mais falei de você. Eu ignorava você até o meu ultimo fio de cabelo. Até hoje, até você ligar dizendo que estava por perto e  precisava me ver...
Eu gostava mesmo de você, mas insisti em algo que eu amava, e não me arrependo.
E você era só o gostar, era só o cara que não me esquecia e não deixava te esquecer. Era isso, eu gostava de você, de ouvir você, mas não era amor, na época nem sabiamos dieito o que era isso.
Então o tempo passa e hoje sei que vivemos tudo que tinhamos que viver e agora já é tarde pra tentamos nos 'conectar' de novo.  Nós dois nos acostumamos a sentir falta de algo que nunca tivemos: porque eu nunca tive você e eu nunca fui sua, e ainda assim você insiste em dizer que nunca vai acabar e eu digo que é só querer que acabe, mas você responde que não quer e eu quero e você diz que eu sempre vou voltar e eu digo que... que nada.
Lá estava eu sentada ao seu lado mais uma vez.


M: Você tá diferente... Olha pra mim!
T: Eu tô olhando...
M: Me olha direito, nos meus olhos.
T: Feliz agora?
M: Agora diz que não me ama mais.
T: Eu não te amo mais! Não era amor...
M: É, não era amor. O amor não existe, o que existe é gostar muito de alguém.
T: Claro que o amor existe, mas a gente não se amava. Nós éramos tão... sei lá, crianças...
M: Não existe não, eu pelo menos desacreditei, mas eu gostava de você.
T: Então o seu pai não ama sua mãe? É, a gente se gostava.
M: Se ama porque eles brigam?
T: Aaah, todo mundo briga.
M: Mas já pensaram em se separar, então não é amor.
T: O amor existe sim!
M: O gostar existe. Eu pensei que amava e me arrependo...
T: De mentir?
M: De tudo.
T: De nós?
M: Também.
T: Tá certo...
M: Para, acha que se me arrependesse da gente eu estaria aqui agora?
T: Não sei...
M: E eu ligaria e ia querer te ver toda vez que viesse pra cá depois de tanto tempo?
T: Admite, você me ama! rs
M: Eu não! rs
T: Não fui eu que liguei pra te ver.
M: Mas você veio e se eu tenho motivo pra ligar você tem motivo pra vir.
T: É, pode ser.
(Abraço).






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